23/09/2006
Um abismo nos separa
Leio no jornal de hoje que um acidente na Alemanha com um trem-bala mag-lev (que utiliza suspensão magnética e levita sobre os trilhos) matou pelo menos 25 pessoas, e fico meio filósófico. Veículos magnéticos! No mundo civilizado já existem estas maravilhas, que aqui no Brasil, onde o sistema ferroviário é uma sucata, apenas conhecemos através de filmes futuristas como Minority Report. No dito "mundo civilizado", já há alguns anos ocorrem transmissões de TV em alta definição (HDTV, simploriamente chamada aqui de TV digital), enquanto o Brasil deu um tiro no escuro, adotando o pouco difundido padrão japonês para as transmissões que deverão iniciar, experimentalmente, apenas no ano que vem (na verdade não teremos um padrão japonês, já que ele será apenas a base de um sistema que agregará novas funcionalidades tupiniquins).
Também no Primeiro Mundo, os novos DVDs de alta definição, nos padrões HD-DVD e Blu-ray, já são realidade, num momento onde aqui no Brasil ainda é praxe os DVDs atuais serem lançados mutilados em formato fullscreen, podados de extras e outros problemas técnicos. Além disso, uma nova geração de consoles de videogames já existe por lá, inclusive com compatibilidade com os DVDs de alta definição, enquanto que por aqui nem a geração anterior teve lançamento oficial, com consoles e jogos sendo comercializados principalmente no mercado paralelo, em virtude dos custos envolvidos. Pode parecer futilidade falar nestas novas (e caras) tecnologias que já existem lá fora, enquanto o Brasil ainda não encontrou soluções para problemas básicos de exclusão social, saneamento, educação, segurança, corrupção, e por aí vai.
Mas esta é exatamente a questão - estes são os sinais mais recentes de que estamos cada vez mais longe da prosperidade dos nossos "primos ricos", e nossos dirigentes parecem fazer questão de irem na contramão do desenvolvimento, elencando outros projetos e interesses como prioritários. E mesmo assim, os problemas crônicos que flagelam nossa população continuam. Para eles, sem dúvida, interessa manter por aqui o status quo que lhes garantirá, após a eleição que se avizinha, mais um longo período no poder. O caso é que, se tudo continuar assim, muito em breve um abismo praticamente intransponível nos separará das regiões mais desenvolvidas do mundo. Ao invés de entrarmos para a elite, seremos condenados a permanecer com a escória. Será um preço caro demais a ser pago pelo país e seu povo, que tinham tudo para seguir um caminho semelhante ao da Coréia e de outras nações que resolveram dar um basta ao atraso, e hoje já despontam no cenário mundial.
05/09/2006
Primavera e Crocodilos
No momento em que meus gelados dedos digitam este texto, aqui no Sul vivemos alguns dos dias mais frios deste inverno – e isto, a poucos dias da primavera, é muito incomum. Só agora tivemos a primeira neve do ano (em várias localidades) e, se o descontrole climático continuar neste ritmo, em breve teremos um Natal típico de Hemisfério Norte: bem branquinho... Porém, um fato trágico ajudou a tornar estes dias pré-primavera mas tristes e frios: a morte, ontem, de Steve Irwin, o simpático australiano que celebrizou-se mundialmente como “O Caçador de Crocodilos”, protagonista de uma série de documentários exibidos pelo canal pago Animal Planet.
Irwin fez sucesso por ter sido o primeiro apresentador de um programa do gênero a, sem qualquer proteção, tocar e manipular animais perigosos como crocodilos, répteis dos mais variados, criaturas marinhas perigosas, e por aí vai. Irwin fez escola, e hoje, existem vários “clones” seus na TV mundial, inclusive no Brasil. O sucesso do aventureiro foi tão grande que em 2002 ele chegou ao cinema, onde protagonizou ao lado de sua mulher Teri o longa O Caçador de Crocodilos – Rota de Colisão. O filme é uma típica sessão da tarde onde Irwin, canastrão mas esbanjando a simpatia que conquistou milhares de fãs, enfrentava agentes da CIA para salvar um enorme crocodilo.
Ironicamente, Irwin encontrou seu fim não nas mandíbulas de um crocodilo, mas no ferrão da cauda de uma tímida arraia, enquanto mergulhava na costa da Austrália. Tudo indica que, fiel ao seu estilo, Irwin tentou tocar o animal, ou nadar a ele agarrado. O fato é que a arraia, que normalmente ataca somente quando acuada, desferiu uma ferroada mortal diretamente no seu coração, matando-o instantaneamente. Esta morte prematura pode até ser fruto de um comportamento irresponsável, porém a verdade é que Irwin é um dos raros exemplos de um profissional que amava o que fazia, arriscando sua vida para proporcionar aos seus espectadores visões de maravilha e perigo. Sua ausência tornará estes últimos dias de inverno mais frios e tristes.
Mas mudando para assuntos mais amenos, apesar do frio a Primavera está chegando para aquecer os corações de homens e mulheres, e a Promoção ScoreTrack deste mês celebra a romântica estação distribuindo duas trilhas sonoras importadas: Diário de Uma Paixão e Sob o Sol de Toscana. O primeiro filme é um belo drama, o segundo uma comédia com locações na Itália, e ambos têm em comum o romance. Visite a página de nossa promoção, envie por e-mail a resposta à pergunta feita e celebre conosco a Primavera.
