22/11/2007

 

The Rite of Strings: Reencontrando Amigos

       

No fervilhante caldeirão criativo dos anos 1970, surgiram algumas bandas que foram marcos históricos para o gênero jazz-rock ou fusion, como a Return to Forever, liderada pelo tecladista Chick Corea, e a Mahavishnu Orchestra, do guitarrista John McLaughlin. A primeira revelou o baixista Stanley Clarke e o guitarrista Al DiMeola, e a segunda, entre outros, o violinista Jean-Luc Ponty. Legítimos virtuoses em seus intrumentos, cada um deles seguiu carreira solo desenvolvendo características bem próprias: Clarke, agregando à sua música o soul funk setentista;  Ponty, dando seguimento ao jazz-r0ck "viajandão" iniciado pela Mahavishnu; e Di Meola, demonstrando a forte influência da música latina em seu trabalho.

 

Os três fazem parte da  minha longa lista de ídolos, tenho vários vinis e reedições em CDs deles, porém em meados dos anos 1980 parei de acompanhar seus trabalhos. Em 1994, após uma bem sucedida apresentação no Festival de Jazz de Montreaux, o trio criou um projeto acústico conjunto chamado The Rite of Strings, que deu origem a uma turnê que, naquele mesmo ano, passou pelo Brasil, inclusive aqui em Porto Alegre, e no ano seguinte a um CD de mesmo nome. Não me lembro o porquê de, na ocasião, ter perdido a chance de ver meus ídolos ao vivo, lado a lado. Mas felizmente, 12 anos depois, tive a chance de me redimir, numa das noites primaveris (String / Spring...) mais agradáveis que tive nos últimos tempos.

 

              Stanley Clarke, Jean-Luc Ponty e Al DiMeola se apresentam ao público de Porto Alegre

 

No dia 21/11/2007, vindos no mesmo dia dos EUA para abrir esta nova turnê no Brasil, Clarke, Ponty e Di Meola mais uma vez apresentaram seu The Rite of Strings para o público porto-alegrense, agora na maior parte composto por pessoas entre 40 e 50 anos de idade, mas também incluindo jovens entusiasmados. E desta vez eu estava na platéia prestigiando aqueles a quem considero meus velhos amigos - ainda que eles não façam a mínima idéia de quem eu seja. Tocadas as primeiras notas, a constatação imediata é a de que os hoje senhores de meia idade continuam sendo instrumentistas excepcionais, exibindo uma técnica impressionante, sem dúvida em contínuo aprimoramento ao longo de todos esses anos. Em seguida, fiquei impressionado pela forma como músicos de características tão singulares interpretem em conjunto de forma tão harmoniosa, ainda mais sabendo que, se eles puderam ensaiar antes do show, foi por um tempo mínimo.            

 

Suas características individuais ganharam maior destaque quando, após as primeiras músicas em conjunto, cada integrante do trio ficou sozinho no palco, para interpretações solo. Foram momentos em que o virtuosismo e a genialidade de cada um atingiram em cheio ao público, que respondeu entusiasmado às inspiradas performances. Dentre elas destaco a de Clarke, do trio o meu preferido e de quem acompanhei por mais tempo seus trabalhos, até em função de suas várias trilhas sonoras compostas para o cinema - são dele os scores de filmes como Boyz'n the Hood - Os Donos da Rua, Passageiro 57 e Carga Explosiva. Sua técnica do slap bass, onde ele bate nas cordas do baixo com os dedos e as mãos, provocou as reações mais intensas da platéia. Posteriormente, na sessão de autógrafos de CDs e DVDs, ele foi o mais simpático e acessível do trio.

 

                                                                     O trio na sessão de autógrafos

 

Após as apresentações individuais, eles novamente se reuniram para interpretar mais algumas músicas, inclusive um bis muito exigido pela platéia antes do encerramento do espetáculo, que teve temas como "Indigo" (Meola), "Renaissance" (Ponty), "Topanga" (Clarke), "Morocco" (Meola), "Song for John" (Clarke) e "Memory Canyon" (Ponty). Enfim, um show memorável (para ter um gostinho de como foi, clique AQUI) que marcou o reencontro dos três amigos entre si e com um quarto, ainda que deles desconhecido. A eles, só tenho a agradecer pelos memoráveis momentos musicais que proporcionam há mais de 30 anos. Espero que no futuro eles retornem, mais velhinhos mas, quem sabe, então com seus instrumentos novamente ligados à tomada para relembrar os bons e inesquecíveis anos 1970.                                                                

 

18/11/2007

 

Sobre o My Space e a mais nova parceria do site

 

Aqueles leitores mais antigos do ScoreTrack lembram-se de seu saudoso fórum de discussões, que por várias razões tivemos que desativar. Desde então, buscamos compensar sua perda com o estímulo à participação dos Scoretrackers em nossa comunidade do Orkut e na lista de discussão Trilheiros do Cinema. E agora, com a chegada ao Brasil do My Spacesite de relacionamento mais popular dos EUA (inclusive é o preferido de bandas e compositores), temos mais um espaço para encontros e discussões.

 

   Desde a semana passada já está operacional por lá o Grupo ScoreTrack.net,  para o qual gostaria de convidar você e demais Scoretrackers para participarem. O primeiro passo é registrar-se no My Space, criando um perfil. E importante, diferentemente do que aconteceu inicialmente no Orkut, você não precisa de convite para registrar-se. Após criar seu registro, basta pesquisar o ScoreTrack nos grupos, ou clicar no link que está acima e em nossa página inicial, fazer sua associação e pronto - você já poderá participar do novo fórum de discussões.

 

E falando em associação, acabamos de fechar uma valiosa parceria com o site norte-americano ScoreNotes, do colega Tom Hoover. Não deve ter passado despercebido aos nossos leitores que, ultimamente, as novas resenhas de trilhas sonoras estavam escassas, seja por minha falta de tempo para escrevê-las, seja por impedimentos diversos dos demais resenhistas que habitualmente as escrevem para o site. Isto me levou a buscar alternativas para garantir o aporte regular de novo conteúdo para esta que é uma das nossas seções mais importantes - afinal, o ScoreTrack nasceu como um site dedicado às trilhas sonoras. Foi com esse objetivo que acertei a parceria com o site co-irmão, a fim de que nosso leitor tenha disponíveis regularmente, tanto em português como em inglês, novas resenhas de scores.

 

Além disso, nossa parceria garante também o acesso direto ao conteúdo em áudio do ScoreNotes, integrado por trechos de faixas de trilhas sonoras, suítes de scores e entrevistas com compositores e outras personalidades ligadas à música do cinema.

 

Acredito que com estas duas iniciativas - a criação do grupo no My Space e a parceria com o ScoreNotes, o ScoreTrack será enriquecido de forma a continuar sendo atrativo para seus leitores, novos e antigos. Espero que você também pense asim.