23/07/2006
Respeito é bom
Não quero aqui comentar muito Superman: O Retorno, do Bryan Singer, até porque acho que a crítica do Ailton Monteiro que está no site já diz tudo. Mas em vista das opiniões desencontradas que tenho lido e ouvido por aí, vou dividir alguns pensamentos com vocês.
De fato acho que o filme poderia ser um pouco melhor, e não é tão bem resolvido como os filmes de Singer para X-Men, mas por outro lado está longe de ser a bomba que imaginava que seria quando vi as primeiras fotos do Brandon Routh no collant do Super, ou a porcaria que alguns dizem que é. Estes não podem esquecer que viram os filmes com o saudoso Christopher Reeve na infância e adolescência, e seria mesmo impossível que este Superman do século 21 tivesse neles o mesmo impacto. Como é normal neste gênero de filme, o pior é sempre o sonho megalômano do vilão, mas há certas qualidades que justificam a ida ao cinema.
O roteiro, baseado numa história do próprio Singer, preocupa-se bem mais com os personagens do que com cenas mirabolantes de ação (que existem e são ótimas, mas não são muitas) e cascatas de efeitos visuais. Após a estranheza inicial causada por Routh (uma espécie de clone mais jovem de Reeve, sempre preocupado em imitar seus trejeitos), e pela Lois Lane de Kate Bosworth, que na verdade é loira e no filme está com cabelos claramente artificiais, os personagens conquistam o espectador graças principalmente ao bom trabalho do roteiro.
Mas acima de tudo, a grande qualidade do filme se resume a uma palavra: respeito. A produção buscou de todas as maneiras respeitar as fontes pretéritas do filme - das referências ao # 1 da Action Comics, que trazia na capa o Homem de Aço levantando um carro, até a proposta de ser uma continuação direta de Superman II (aquele no qual Luthor descobre a localização da Fortaleza da Solidão e onde o Super abandona seus poderes para ter um relacionamento íntimo com Lois), ignorando os ruins III e IV. Os créditos iniciais seguem o mesmo estilo dos outros filmes, e na seqüência final mais uma vez vemos Superman voando em órbita da Terra, inclusive com Routh passando diante da câmera e sorrindo para a platéia, como Reeve fazia. Impossível não ficar cativado por estas homenagens aos filmes de Richard Donner e Richard Lester.
Neste aspecto, obviamente há outro fator importantíssimo - a utilização pelo compositor / editor John Ottman, em seu score, dos memoráveis temas criados por John Williams para o filme de 1978. Em torno deles Ottman construiu a que talvez seja sua melhor partitura até agora , e a este respeito, em agosto vocês terão no ScoreTrack farto material de leitura. Enfim, há uma série de referências visuais e auditivas que não deixam dúvidas - para o bem ou para o mal, este é um legítimo filme do Superman, e é o primeiro de uma nova série.
Mas no fim, resta um furo do roteiro, que tanto primou pela busca à continuidade. Em Superman II, após o herói revelar sua identidade a Lois e abandonar seus poderes para poder fazer amor, para o próprio bem dela ele a faz esquecer por completo de toda a experiência. Mas em Superman: O Retorno - ATENÇÃO: SPOILER A SEGUIR - ela não demonstra muita surpresa ao descobrir que o pai de seu filho de cinco anos é Superman, e não seu marido. Ou seja, ela age como se se lembrasse de ter ido para a cama com o super-herói...
De qualquer maneira, fora o ótimo Os Suspeitos, Bryan Singer já conta em sua carreira com outros dois grandes trunfos - o de ter estabelecido a franquia X-Men no cinema com dois grandes filmes, e de ter resgatado Superman para toda uma nova geração de fãs. E esperemos pelo próximo filme, que tem tudo para ser ainda melhor.
1º/07/2006
ScoreTrack.net: Sete anos de uma Jornada contínua
Mais um aniversário se aproxima... dia 19/07/2006 o ScoreTrack completará sete anos de vida - na web, porque como um fanzine impresso ele existia desde uns dois anos antes. Foram longos sete anos dedicados ao cinema, suas trilhas originais e seus compositores. Sete anos de crescimento - de basicamente duas seções, CDs Comentados e Compositores, o site progressivamente foi se diversificando para se adaptar às demandas dos seus leitores, mas nunca deixando de perder seu foco principal. Sete anos onde conquistamos colaboradores e amigos, alguns que continuam, outros que se foram em busca de novas conquistas pessoais e profissionais. O site com certeza não é amplamente conhecido, mas tem prestígio em uma determinada parcela de leitores e resiste bravamente à passagem do tempo: das pouco mais de 50 visitas diárias em seus primeiros tempos, hoje já está se aproximando das 2000. Em seu período de existência, outros sites de cinema nasceram, atingiram seu apogeu e pereceram. O colaborador de um destes grandes sites uma vez se dirigiu a mim chamando o ScoreTrack de "sitezinho", pois bem: não muito tempo depois ele foi defenestrado, o seu "grande site" não existe mais e este aqui segue firme.
Claro, a proposta do ScoreTrack é mais modesta, e por isso mais perene. Tem uma estrutura mínima, e não depende de colaborações pagas ou atualizações diárias. Mas as atualizações ocorrem semanalmente, e seu conteúdo é de qualidade. Por certo o site ainda está longe de ser o que pretendo que seja algum dia, mas em determinados aspectos ele já superou as expectativas. Por isso, acho que temos suficientes razões para comemorarmos mais este ano de vida. Em outros anos, marquei a data implementando mudanças no site, criando novas seções, inaugurando o site em inglês. Este ano decidi antecipar as mudanças: padronização no layout das páginas das principais seções e colunas, a concessão do ScoreTrack Award e, por fim, a distribuição de brindes aos nossos leitores fiéis. Mais coisa poderá vir, mas a médio prazo.
E falando nas Promoções ScoreTrack, neste mês de julho teria que haver algo especial. Assim, comemorando o aniversário do site, estaremos sorteando dois CDs de dois dos mais queridos compositores pelos scoretrackers: John Williams e Basil Poledouris. Do primeiro, um raro CD nacional, atualmente fora de catálogo, onde o compositor rege uma coletânea de seus mais conhecidos e celebrados trabalhos; do segundo, a trilha original importada do filme Starship Troopers, considerado o último grande score de Poledouris - até o momento.
Então, continue prestigiando nosso modesto espaço, participe da nossa promoção e comemore conosco estes sete anos de uma jornada que, graças ao seu apoio, certamente ainda será muito longa.
