26/07/2007
Goldsmith: Três Anos sem o Mestre
Na noite melancólica do último dia 21 de julho, deste que já é o mais rigoroso inverno das últimas décadas aqui no Sul, tornei-me também melancólico ao lembrar-me que, há exatos três anos, Jerry Goldsmith, um dos maiores compositores que já exerceram sua arte no cinema, nos deixou. Alguém que, não tenho dúvida, permanecerá na minha memória afetiva até o fim da vida.
O trabalho de Goldsmith não foi o que inicialmente me fez prestar atenção à música dos filmes, mas sem dúvida foi uma influência primordial para que eu desenvolvesse um especial apreço por ela. Acredito que a primeira vez que liguei o nome de Goldsmith a um filme foi nos créditos de abertura de O Planeta dos Macacos. Aquela música atonal, percussiva e até mesmo contemplativa, era diferente de tudo que ouvira até então, e quando o nome do seu autor surgiu na tela, pressenti que ele, de algum modo, teria um significado especial para mim. Claro que já à época deste clássico de ficção científica (1968), Goldsmith podia ser considerado um compositor consagrado, com vários trabalhos de relevo criados para a televisão e o cinema. Mas ali, sem saber, estava testemunhando o início de uma fase de incrível produtividade e criatividade do compositor, que se estenderia por mais de três décadas.
Já a partir do final dos anos 1990 Goldsmith diminuiu seu ritmo de trabalho, com a predominância dos scores deste período final sendo criticada por sua falta de criatividade ou inovação. Passados tantos anos e com a perspectiva de hoje, podemos chegar a duas conclusões óbvias – que, de fato, o trabalho de Jerry se ressentiu das limitações provocadas por sua doença; e a de que, mesmo nesses trabalhos ditos "inferiores" (um deles, inclusive, foi uma partitura rejeitada – a do filme Linha do Tempo), é possível reconhecer em vários momentos toda a genialidade e a competência que caracterizaram a obra desse grande compositor. E digo mais, se comparadas ao grosso da produção musical feita hoje em dia para Hollywood, tais obras ainda possuem uma marca autoral de qualidade – coisa que falta para muitos profissionais que ainda insistem em ser considerados como "compositores de cinema".
No ScoreTrack podem ser encontradas resenhas de alguns desses scores, inclusive escritas por mim, onde evitei ser condescendente com a doença de Goldsmith e fiz minhas críticas. Não pretendo alterar uma vírgula do que escrevi, porque era o que de fato penasava na época; mas reconheço que, se fosse escrevê-las hoje, teria sido menos exigente. Porque, basicamente, sinto - sentimos - falta de Jerry Goldsmith. E não só dele, mas de compositores como ele, com sua capacidade e criatividade. Capaz de criarem clássicos instantâneos da música do cinema, daquelas músicas que transcendem à imagem e ganham vida própria em nossas mentes e em nossos corações.
Claro, ainda temos veteranos como Schifrin, Barry, Morricone e Williams entre nós (apesar de sua produção para o cinema estar reduzida ou mesmo interrompida), e há nomes promissores em atividade ou que a cada ano estão surgindo. Mas, infelizmente, não mais temos Goldsmith entre nós, e é provável que nunca mais tenhamos outro como ele. Saudades, Mestre.
1º/07/2007
ScoreTrack.net: Oito anos nas costas!
Minha nossa, esse último ano passou voando! No próximo dia 19/07/2007 o ScoreTrack.net completará oito anos de vida no ciberespaço, período no qual pudemos expressar toda a nossa paixão pelo cinema e suas trilhas sonoras. É o melhor dos dois mundos - cinema e música - reunido num site construído com carinho ao longo dos anos em conjunto com nossos fiéis leitores e colaboradores.
Em anos anteriores comemoramos essa data com algum tipo de promoção ou modificação de layout do site, e dessa vez o fazemos com a criação de um canal de vídeos do site no Youtube, destacando dois vídeos comemorativos utilizando como trilha sonora as composições criadas especialmente para o ScoreTrack por Jacques Mathias. Para assistir a estes e outros vídeos, visite http://br.youtube.com/scoretrack ou acesse nossa página inicial em www.scoretrack.net.
Porém, o melhor presente que todos poderíamos receber chegou já em maio último - o nosso MÚSICA EM CENA - 1º Encontro Internacional de Música de Cinema, do qual o ScoreTrack se orgulha de ter sido um dos promotores. Como já tive oportunidade de expressar por aqui, esse evento inédito em termos de Brasil tornou realidade os nossos sonhos de trazer para cá grandes nomes internacionais da música de cinema, e de colocar essa arte, tida por muitos como secundária, em primeiro plano. Isso não só aconteceu, como também abriu as portas para novos e bem sucedidos encontros.
Por todas as experiências gratificantes vividas ao longo desses oito anos, não posso deixar de agradecer aqui, mais uma vez, pela desprendida colaboração daqueles que ajudaram a fazer do ScoreTrack o que ele é hoje. Foi graças aos esforços de todos que o site venceu todas as dificuldades e seguiu firme durante todo esse tempo. E será graças a eles que, se Deus quiser, permaneceremos aqui ainda por muitos e muitos anos.
