30/01/2007

 

Ciclo da vida... na web

 

O tempo passa, inexorável, implacável. Sites vêm, sites vão... e o ScoreTrack.net segue firme, em meio às tempestuosas ondas do cyberespaço. Talvez consigamos ir em frente porque, sabedores de nossas limitações, não arriscamos demais, não ousamos. Mas para mim, permanecer fiel à proposta de fornecer um conteúdo diferenciado e de qualidade já é um desafio e tanto, e isto estamos conseguindo manter.

 

O fato é que nestes quase oito anos de vida, vimos ótimos sites co-irmãos surgirem, mas também, infelizmente, se despedirem de seu público. Agora chega a vez do SoBReCarGa, admirável página dedicada à cultura jovem, com ênfase em Filmes, Séries, Música, Quadrinhos, etc., portanto com uma proposta não muito diferente da nossa, mas que infelizmente se encerra neste dia 31/01/2007.

 

Confesso que não era leitor assíduo do site, mas em algumas ocasiões meus interesses me levavam a ler as ótimas matérias daquela equipe idem, e sinto que com o fim do SoBReCarGa a web ficará mais pobre e triste - o que algum dia acontecerá novamente, quando chegar a vez do nosso "Score". Mas, em que pese esse "Ciclo da Vida Virtual", para nós o jogo continua e tenho a satisfação de dizer que o ScoreTrack terá a  honra de preservar parte do legado do nosso co-irmão que se vai.

 

Assim, é com enorme satisfação que anuncio a entrada, no nosso time de colaboradores regulares, do jornalista Carlos Dunham, cujos textos ajudaram a tornar o SoBReCarga o ótimo website que ficará em nossa memória. Dou as boas vindas ao Carlos, na certeza de que com ele em nosso time, nosso "Score" se tornará ainda maior e melhor, fornecendo aos nossos leitores um material cada vez mais diversificado e atraente. Desde já agradeço a ele por suas inestimáveis colaborações, e me despeço do SoBReCarGa deixando aqui esta singela homenagem:

 

 

 

11/01/2007

 

Meu nome é Craig, Daniel Craig

 

Passada a tormenta ocasionada pela escolha do inglês Daniel Craig para ser o novo agente 007, o filme Cassino Royale foi consagrado pela crítica e já é o filme da longa franquia que teve o o maior sucesso de público. Nos EUA ele não conseguiu tirar a animação Happy Feet, O Pingüim do topo das bilheterias, mas levando em conta o faturamento mundial, este reinício das aventuras do agente secreto deixou a ave dançarina comendo gelo.

 

Como já havia dito em outro editorial, a escolha de Craig também não me agradara muito, mas a verdade é que sua figura um tanto "rústica" se adaptou perfeitamente ao novo perfil do personagem. O filme marca um retorno da série ao tom mais realista dos livros de Ian Fleming, e apesar de não dispensar algumas cenas de ação vertiginosas (a perseguição a pé na África, o atentado no aeroporto) ele também extrai tensão de situações típicas de personagens, como a cena em que o vilão Le Chiffre tortura Bond que está amarrado, nú, em uma cadeira. O jogo de cartas (aqui, o pôquer substitui o tradicional bacará), que em filmes anteriores servia apenas como método narrativo, agora é parte essencial da trama e inclusive dá origem a momentos eletrizantes, como quando Bond ingere uma droga que lhe provoca um infarto.

 

Contudo, para fazer uma avaliação justa do filme, indiscutivelmente o fã deverá entrar no cinema de mente aberta para algumas coisas: primeiro, é claro, a própria figura de Craig - loiro, nariz de boxeador e ostentando o início de uma indisfarçável calvície: e o fato de Cassino Royale ser uma espécie de "007 Begins", mostrando a origem do personagem nos dias de hoje. Deste modo, Bond deixa de ser um agente forjado pela Guerra Fria e passa a ser fruto de uma nova geração do MI6, que obtém sua notória licença para matar em plena era Tony Blair. Causa estranheza também que, num contexto em que a cronologia da série é rompida, M continue sendo interpretada por Judy Dench, que assumiu o papel já no primeiro filme de Pierce Brosnam como James Bond, 007 contra Goldeneye (1995), como este também dirigido por Martin Campbell.

 

Mas relevados estes detalhes, Cassino Royale pode ser considerado, de longe, o melhor e mais consistente filme de ação de 2006, e sem dúvida um dos melhores da franquia 007. Traz os elementos conhecidos da série, alguns de modo diferente (o agente se apaixona pela Bond Girl, o habitual tiro na câmera surge bem depois, a famosa assinatura musical do personagem é ouvida apenas no encerramento), outros seguindo o padrão dos últimos filmes (David Arnold segue sendo o responsável pela partitura, que aliás é seu melhor trabalho na série - leia a resenha AQUI). O que desapareceu foi Q e as engenhocas que fornecia para as missões de 007, certamente para tornar o filme mais verossímil.

 

Mas o importante em tudo isso é que Bond is back, e renovou sua licença para matar por um novo e, pelo jeito, longo período.