11/08/2006
Sonhos para realizar, sonhos para perdurar...
Normalmente não nos damos conta, mas praticamente todo o fruto da criação humana originou-se de um sonho de alguém que, não raramente, era tachado de ingênuo, às vezes até de louco. Isso me veio à cabeça com o anúncio dos 20 anos de idade do programa de rádio A MÚSICA DO CINEMA, apresentado e produzido pelo nosso amigo e colaborador Márcio Alvarenga. Um dos raros programas radiofônicos brasileiros dedicados às trilhas sonoras, ele começou assim - como o sonho de um apreciador e colecionador, que ao tornar-se realidade começou tímido, e hoje possui uma hora de duração e é transmitido diariamente pela rádio Universitária FM - 107.5 mhz, e inclusive pela internet através do site www.universitariafm.ufu.br.
O ScoreTrack, que mês passado completou sete anos de existência, começou de modo similar, e hoje vemos que ambos os sonhos, tornados realidade, têm tudo para perdurar ainda por muito tempo, décadas provavelmente, aprimorando-se e acompanhando a evolução dos tempos. O desafio que hoje temos é exatamente esse - manter os sonhos materializados vivos, num país onde a arte e a cultura, ainda mais quando focadas em campos não muito populares como este, é colocada de lado em favor das montanhas de lixo que a mídia, diriamente, joga para dentro de nossas casas. Mas nossa mente sonhadora é incansável, e como se não bastassem os desafios que já temos, vemos exemplos de colegas da Espanha, que recentemente lá realizaram dois grandes festivais de música de cinema com a presença de nomes de peso como Hans Zimmer, Harry Gregson-Williams, John Ottman e Basil Poledouris (leia as matérias no site, de autoria de Tony Berchmans e Vasco Otero), e pensamos... estaremos loucos em imaginar um evento deste tipo no Brasil? Talvez, mas sonhar com ele já é um início!
Outro dos sonhos que tenho é de que, algum dia, as distribuidoras nacionais de DVDs deixarão de lado práticas típicas de um mercado terceiro-mundista, como lançar novos filmes inicialmente apenas para locação, e pior, disponibilizando para venda filmes e séries em versões inferiores às que existem nos EUA e Europa. E dê-lhe corte de extras, mutilação da imagem original, áudio 5.1 que aqui vira 2.0... A Universal, entre as majors, é a que de longe comete os maiores "crimes": em parceria com o selo Studio Canal, lança edições toscas de grandes filmes, sem nenhum extra e baseadas em masters originais PAL convertidas para NTSC (o que degrada a qualidade da imagem e acelera o filme) - vítima mais recente: o cultuado O Vingador do Futuro, com Arnold Shwarzenegger. A distribuidora também "assassina" séries de TV como Battlestar Galactica e House, lançadas no exterior em seu formato original widescreen e com áudio 5.1, mas que aqui chegam com tela full e áudio 2.0. Mas outras das grandes também aprontam, como a Warner que simplesmente "esqueceu" lá fora o segundo disco de V de Vingança, que trazia muitos extras, e que está lançando outro estimado filme, O Corvo (o original estrelado pelo finado Brandon Lee) sem nenhum material bônus e com imagem full e áudio 2.0. Mas o preço destes lançamentos terceiro-mundistas muitas vezes é de Primeiro Mundo...
Porém meus caros, não podemos desanimar: é necessário ter fé e esperança e que, principalmente, continuemos sonhando... a recompensa pode estar logo ali, adiante.
