03/04/2008

 

Sobre as críticas ao Morricone e a vitória do Blu-ray

 

Kitsch é a dengue

Como se sabe, no último dia 24 de março São Paulo foi palco de um segundo concerto de Ennio Morricone no Brasil - o primeiro foi ano passado, na abertura do 1º Encontro Internacional de Música de Cinema. A organização não mediu esforços para trazer novamente Il Maestro ao nosso país, e por isso ela está de parabéns. Claro que nem tudo saiu como esperado, e seja por, desta vez, não haver um patrocinador de peso como a Petrobrás, seja porque dos dois concertos previstos, apenas um foi realizado, o preço dos ingressos ficou muito elevado.

Mesmo que posteriormente tenha havido sensível redução dos valores, isto gerou uma série de protestos e críticas, uns aceitáveis, outros totalmente descabidos (como se fosse preferível que Morricone não tivesse voltado para cá, ao invés de se apresentar pelo menos para aqueles que tiveram os recursos suficientes para tanto), que pipocaram nas comunidades do orkut e nos fóruns de discussão. Além de mostrar uma enorme falta de respeito com Morricone, esse pessoal demonstra mesmo que não faz a mínima idéia das dificuldades em trazer para o Brasil um concerto desses.

Mas o pior de tudo foram algumas críticas revoltantes da imprensa paulista sobre o concerto de Morricone no Teatro Alfa, objeto de uma bela cobertura por parte do nosso credenciado Lucas Vandanezi e que motivaram a matéria do nosso colaborador Fabio Scrivano Em defesa da Música do Cinema. As críticas desses "doutos", taxando o italiano de mercenário e classificando sua música como kitsch e apelativa, deixaram à mostra todo o preconceito que existe contra a música do cinema, ainda hoje considerada uma arte menor no Brasil - e para alguns, nem arte o é. 

Esses senhores desconhecem por completo que a erudição pode existir até mesmo em gêneros ou estilos de perfil mais popular. Sinceramente, em um país (?) onde pessoas ainda morrem de dengue e febre amarela, isso não é de espantar... Mas a contínua luta do ScoreTrack - a nossa luta - é tentar mudar essa visão equivocada de forma que essas obras, que muitas vezes acompanharam momentos marcantes de nossas vidas, recebam o reconhecimento que merecem. Ao final a vitória chegará, tenho certeza.

A Alta Definição é azul

Pois o disquinho azul da Sony ganhou a guerra dos formatos de DVD de alta definição, e o desafio que se impõe agora, aqui no Brasil, é que as distribuidoras, seguindo o exemplo da própria Sony, nacionalizem os discos Blu-ray e os coloquem no mercado a preços mais acessíveis. Já em escala global, passa a haver uma corrida para fortalecer o formato, a fim de que ele faça frente ao próprio DVD e à crescente busca de conteúdo via download. Para isso o Blu-ray, a partir do profile 2.0, além de imagem e som de alta definição, passa a oferecer conteúdo online exclusivo que pode ser acessado através do reprodutor (por enquanto o único com essa capacidade é o console Playstation 3, que já vem com HD embutido e tem acesso wireless à internet).

Os primeiros discos Blu-ray com profile 2.0 já estão saindo lá fora, e acredito que são diferenciais como esse que poderão fazer o formato vingar. Por enquanto, mesmo com banda larga, baixar um filme em alta definição ainda é um processo demorado, e ter esse mesmo filme numa mídia ao mesmo tempo sofisticada, de preço acessível e que traga recursos exclusivos, é uma perspectiva mais atraente para colecionadores. Mas é essencial que fabricantes de hardware, software e distribuidoras não durmam no ponto, só vendo cifrões na frente - sob pena do Blu-ray ter o mesmo pífio destino do seu já distante antepassado laserdisc, que morreu antes mesmo de chegar ao Brasil.